quinta-feira, 22 de abril de 2010

No divã

Não vou mentir, as vezes sinto-me deprimido durante minha terapia exatamente por isso: estar em terapia.
A cada dia me desanima mais essa coisa toda. Sinto-me exausto, tenho vontade de estar em casa, quieto e inerte. E, curiosamente, acho de deveria estar me sentindo ao contrário. Em terapia as pessoas melhoram, se sentem bem consigo mesmas e com o mundo e como minha terapeuta disse, eu sou uma pessoa do contra. Agora vejo que definitivamente sou.
Se as pessoas olham para cima, vou olhar para baixo, se irem para um lugar que dizem ser bom, é um lugar que eu não irei, se dizem que alguma coisa é ruim, é atrás dela que eu vou. Claro, com exceção da música emo, que de fato há pessoas que dizem que é ruim e não posso discordar, mas isso é outro caso.
Outra coisa que me deixa deprimido em relação a psiquiatria: é um circulo vicioso. Não posso deixar de ressaltar que adoro a psicologia, a psicanálise e que tentei o vestibular de psicologia sem sucesso. Eu busco a razão da minha depressão em razão própriamente dita. Saber que os meus e os nossos problemas não tem um motivo lógico para ocorrer, me deprimiu ainda mais. Passei boa parte da minha vida buscando a razão para um problema em que ela simplesmente não existe?! Imagine o quão deprimente é buscar lógica para o que não há. Mas, explicando a questão do circulo vicioso, minha terapeuta falou que quase todo mundo precisa de terapia, inclusive os terapeutas, logo, o terapeuta tem seu terapeuta, que tem seu terapeuta e assim por diante. De fato, é algo cansativo.
Esperamos, como o pensamento de Nietzsche, um super-homem. O que quero dizer é que ao buscar ajuda psiquiátrica, a última coisa que queremos pensar é que o individuo que o trata também pode estar em tratamento, logo, se ele não consegue tratar de si mesmo, como pode te ajudar?!
Tudo isso me desanima e muito. Deixei de deitar no divã e voltei para o sofá. Em quase um mês de terapia, houve muitos sobes e desces de alto estima e humor e quando paro pensar, é como se não houvesse mudado nada. Pensamento ingrato?! e como! Sinto-me incorrigivelmente do contra, velho e póstumo mentalmente. Escrevo, penso e falo como alguém que já viveu toda uma vida. Como um romântico do século 18 em pleno 21. Meu desespero é como estar se afogando em lugar fechado. Não há lugar para ir, para se esconder, para respirar. É o que eu sinto o tempo todo e até que consigo muito bem me manter em apnéia, mas as vezes, é como ver o norte à sua frente e seguir para o sul.
Não sei até que ponto a terapia me fez ou faz bem. Meus pontos de vista não mudaram, alguns se esclareceram e os que não, espero que não sejam incógnitos para sempre. Mas se não for, qual será a graça em ser alguém?! Quem é previsível e explicável jamais possuirá notoriedade. Nem mesmo de si próprio.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A maior preocução em um feriado às 6:30 da manhã

Será que o bar abre hoje?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Voltando...

Claro, estou devendo uma explicação aos pouquíssimos que lêem este blog. A preguiça, depressão e minha introdução ao tratamento psiquiátrico... Bom, não é tão grave assim, mas na terapia estou vendo o quanto de energia deixo de aproveitar por conta de uma tristeza aparentemente sem explicação. Acredite-me, quero escrever há tempos e até o fato de não escrever quando eu quero me deixa triste.
Sempre gostei de escrever a noite e agora tenho de controlar meu sono devido a um distúrbio do mesmo.
Tenho odiado muitas coisas velhas, inclusive conceitos e pessoas. O mundo está velho, doente e, naturalmente triste, não é lugar para jovens, não há método dialético, não há razão e cada vez mais acho que já não caibo neste cantinho.
Agora me escondo sob a falta de egocentrismo, a sociologia e a antropologia. Sob a flanela, o tartan, o denim e o algodão.
Ao mesmo tempo quero estar sozinho, acompanhado, mostrar aos habitantes da caverna que o mundo não é apenas as sombras. Exponho o mundo, os conceitos, as respostas a quem tem perguntas e um norte àqueles que já não o tem.
Pela primeira vez percebo que estou me escondendo de mim mesmo.

sábado, 6 de março de 2010

Gota d´água

Eu devia ter vergonha e escrever quando a memória ainda está fresca. Não que não esteja, mas seria melhor se eu escrevesse quando realmente tivesse a vontade. Novamente sou levado a escrever por algo que durou pouco mais de 20 segundos. Acho interessante fazer uma cena do cotidiano se tornar algo que merece atenção e estudo. E, claro, novamente a história que eu conto aconteceu durante o trabalho.
Era uma bela manhã de quarta-feira, esta do dia 3 mesmo. Passava de meio dia e meia. O sistema de entrega no mercado é claro: depois do meio dia o portão é fechado. O fiscal que cuida do portão vai almoçar. Quem ficou trancado há de esperar a boa vontade do fiscal em voltar e abrir o portão. Havia um pequeno caminhão parado em frente ao portão. Estava ligado, pronto para sair a qualquer momento, esperando anciosamente pela abertura do portão. O motorista aguarda até que inconformado, finalmente surta, chega ao seu limite da paciência. Parecia um clássico esteriótipo de filme: um velho baixinho saindo de seu caminhão com um cigarro pela metade na boca e... uma barra de ferro na mão. Assim como eu, havia mais umas 5, 6 pessoas esperando o canhoto da nota fiscal para que pudessem ir embora. Todos observavam estupefados o velho se aproximar do portão e bater com barra contra o cadeado. Ninguém o impediu. E não era para menos, o velho quebrou o cadeado com os golpes, o que ele faria com alguém metido a besta?! Assim que arrebentou o cadeado, ele abriu o portão, voltou ao seu caminhão e foi embora.
É claro que isso tornou-se um problema mais tarde entre o velho, sua empresa e o mercado, mas para o meu texto é irrelevante. O que merece atenção não é o ato em si, mas o fato de surtar. Sim, não há nome melhor para a situação do que surto. Não foi a primeira vez que ele teve de esperar pelo fiscal. Quantas idéias, preocupações, aspirações, frustrações são necessárias para perder o controle de si mesmo?
Não passei em psicologia, mas, felizmente, a faculdade de administração tem aula desta fascinante matéria. Somos oprimidos o tempo todo. Em todas as relações humanas há relações de poder: o chefe, o pai, o colega que vai pagar a conta... podemos negar em nosso consciente, mas fato é que ali, naquele cantinho que você oprime no inconsciente, há e há muita mágoa.
É fato, sempre nos fica algo preso a garganta, é quase impossível falar tudo que realmente queremos, seja por educação ou por juízo (no caso do trabalho). A princípio temos desânimo, há coisas que queremos fazer e quando podemos, algo nos impede. Depois passamos a ter comportamento infantil frente a um problema. O nosso superego (o mediador entre o consciente e o inconsciente) faz o possível e o impossível para não perdermos o controle de nós mesmos. Mas uma hora ele não dá mais conta do recado.
As vezes é bom parar e pensar até onde se estende nossos limites de paciência, mas lá no fundo, deve ser maravilhoso pegar uma barra de ferro e quebrar o cadeado que nos prende.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Advogado do diabo

Pode ser um absurdo da minha parte, mas depois de ler e reler muitas coisas sobre céu e inferno, bem e mal, passei a cogitar a idéia de que talvez o diabo não seja simplesmente o ser malvado com um tridente que tenta e condena pessoas ao sofrimento eterno.
A história diz que Lúcifer era o braço direito de Deus e que possuia também um incrível conhecimento do bem e do mal, tudo e nada, essas coisas. Ao achar que Deus estava errado em algumas convicções ele expressou sua opinião, convenceu um terço da "frota angelical divina" de que estava certo e deixou o reino dos céus.
Claro, vou lembrar que não sou anti-cristo, nem ateu ou coisas do tipo, mas de fato eu sou anti-religião. Elas difamam a imagem de Deus e o tornam tão mau quanto o demo. Quem discorda de mim pesquise um pouco sobre a idade média ou a igreja universal. Quando eu era uma criança católica, lembro-me de temer a Deus não como respeito, mas sim a medo mesmo porque quase tudo que a humanidade faz hoje em dia é razão para pararmos no fogo do inferno.
O diabo buscou o conhecimento e quis crescer quando o obteve. Para mim ele não passou de um anjo com características humanas e desejos humanos. Quando o homem passa a ter mais conhecimento ele sempre quer mais, quer crescer de todas as formas que pode, financeiramente, amorosamente, etc. E outro ponto é: grande parte das pessoas com um intelecto "superior", que buscou mais conhecimento, passa a se decepcionar com as questões místicas. O mistério da fé para mim, na religião católica, é acreditar naquilo que não há certeza ou garantia alguma que algum dia você irá ver.
Acredito que se alguma coisa leva aos céus é o caráter e que o diabo nada mais é do que um ser que deixa o homem livre para ser humano, ter raiva, ódio, gula, ira, luxúria, sem que isso te condene a uma eternidade de sofrimento. Um suicida que sempre foi bom com as pessoas e não descontava seu sofrimento com os mesmos, só porque em dado momento decidiu dar cabo de sua vida não merece a eternidade no fogo do inferno. A vida é injusta, a morte não.
O homem ao buscar conhecimento e querer crescer se torna um diabo, pois para isso tem de se deixar inúmeros valores religiosos que o condena, quem alimenta uma fé cega se conforma com o que é de cabeça baixa, pois não contesta os valores religiosos com medo não não ter sua vaga no paraíso.
Escrevo este texto indignado com religião. Afinal de contas, acredito que todos já ouviram aquela máxima: "não faz isso que Deus castiga!", mas nunca ouvi "o Diabo castiga" ou "o Diabo tenta". Talvez vivemos sob perspectivas erradas sobre este tema.