quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Fofoca (puro)

Acho muito engraçado essa idéia de um espirro em uma esquina ser uma tuberculose na outra. A questão não é só que uma fofoca é fazer um breve comentário sobre o vizinho, ou, no caso que retratarei a seguir, uma colega de trabalho. O fato é que todos se propõem a aumentar um pouquinho a história fazendo uma pequena situação virar caso de vida ou morte, ou nesse caso, uma quase "rede de apostas".
Imaginem uma jovem mulher, 20 anos, 1 metro e 60, cabelos vermelhos de uma boa tinta, olhos claros, anda sempre com batom, enfim, linda aos olhos de quem vê. Agora, imaginem ela... GRÁVIDA!
"Cara, ela está grávida ou engordou?!" essa foi a minha pergunta. Resposta: "pois é ,cara, ela está grávida". Pronto, para mim, encerrou-se o assunto.
Comentei o fato com o meu pai, não com más intenções, mas porque meu pai a conhece, trabalhavamos no mesmo setor do mercado na época que o meu pai a viu. A pergunta dele: "Esse filho não é do fulano lá, né?!" O fulano é o gerente do setor, conhecido pela fama de "pegador", já engravidou umas mulheres por aí. Como eu não sabia e também nem me interessava respondi que não sabia, mas achava que não era do tal sujeito. Ok, morreu o assunto?! Agora que a coisa esquenta!
Estava trabalhando com o meu pai quando o tal sujeito apareceu. Eles conversaram um monte assuntos até o meu pai perguntar: "Cara, o filho da fulana não é seu não, né?!" "não, não, pode ficar tranqüilo, ela até deu em cima, mas eu pulei fora antes". Ah, sim, claro, desculpa aí. Sinceramente, o cara não é o ícone da beleza, mas pela fama, sempre dá pra contar uma historinha de mulher atrás dele. Contou que esses dias ela o esperava na frente de seu carro, provavelmente pedindo uma "carona"... sabe-se lá pra onde.
"Mas, você sabe quem é o pai?!" Perguntou meu velho. "Ah, tão dizendo que é o fulano de tal, mas, estão até suspeitando do diretor do mercado!" "nossa, mas até ele?!". Meu pai também conhece o diretor e achou bem estranho ele estar no meio da trama.
Bom, entre essas expectativas todas de quem é o pai da criança da tal moça, não é muito difícil de rolar até um bolão para as apostas que deste fato se seguem.
Bom, apostas sejam feitas. A sorte está lançada.
Só tem um pequeno detalhe, pequeno mesmo, quase invisível, o qual me causa até uma espantosa curiosidade: De todos os citados candidatos a pai da criança, por mais incrível que pareça, não vi ninguém citar o pobre, discreto e simpático... namorado da moça, cuja relação dura anos e ela jura amá-lo muito.
ATCHIN!!!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Masoquista? (puro)

Comodidade?! Masoquismo?! Necessidade de se sentir mal?!
Acredito que seja assim que eu funcione.
Me sinto bem quando me sinto mal, preciso me sentir mal para estar bem comigo mesmo.
Em casa eu paro. Preciso descansar, "eu estou cansado, eu estou exausto, eu poderia dormir por mil anos..."
Trabalho 6 dias por semana, meus pais falam o tempo todo sobre trabalho e eu ainda faço uma faculdade ligada ao trabalho. Não é minha culpa odiar tanto o trabalho, mas preciso dele. Preciso de raiva e ódio.
Sabe, tudo me incomoda, ultimamente nem eu me aguento. Acredita que mesmo trabalhando 6 dias por semana meu pai esses dias falou que eu não ajudo em casa. Isso é injusto, um absurdo.
O mundo é cruel, ruim, cheio de maldade, definitivamente ele não é fácil. Por que minha casa tem que ser assim?! Sinto muito papai, mas em casa a última coisa que você vai ver eu ter é entusiasmo com relação ao trabalho, da porta pra fora podemos discutir. Discutir porque pais não sabem conversar.
Fui trabalhar esta madrugada e passei mais de 1 hora revirando-me na cama em busca de um sono que não veio. De manhã quando este começou a chegar e eu comecei a me cansar, tive de aturar o sarcasmo indelicado do velho que não pensou 2 vezes em me encher o saco.
E sabe o que mais me incomoda?!
Preciso disso!
Me estressar, ter raiva,pois me deprime, me inspira, me faz pensar, me faz escrever...
Se eu não tivesse que aturar tudo que me estressa, se pudesse falar tudo que quero, não haveria blog, não haveria intelecto, não haveria o que escrever.
Definitivamente, prefiro ser um estressado intelectual do que um merda despreocupado com a vida e o mundo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano novo, vida nova? (puro)

Depois das festas de ano novo, é hora de seguir todas as resoluções propostas por si mesmos. Afinal de contas, por que resolvemos criar regras para nós mesmos?!
Sim, passei a ter muita raiva de regras desde que minha cabeça passou a viver em quase total niilismo. Depois de ler Nietzsche então, o niilismo resolveu se implantar em mim.
Sei la, deve haver algo bom em se auto-regrar. Eu, por exemplo, decidi parar de fumar ainda que de vez enquando como sempre fiz. Decidi que minhas vidas seriam renovadas e tudo mais, mas na hora de por em prática... Queria viver mais intensamente e passei o primeiro final de semana em casa, deprimido, com aquela super vontade de fazer nada.
Como aquela questão em uma aula de psicologia que tive, a depressão, o cansaço nos pega tão forte que quando temos tempo para parar e fazer o que queremos, é como se simplesmente decidimos não mais fazê-lo. E logo, nossa deprê piora.
Oh, sim, ficar em casa tem lá suas vantagens. Estou lendo livros freqüentemente, no momento, leio contos do Franz Kafka.
Outra coisa: se você está deprimido e ler Nietzsche, seguido de Kafka, fique longe das janelas, pois em uma delas você vai querer pular.
Como foi seu natal?! Lindo natal, aprendi que nessa época, aliás, em qualquer outra, jamais conte a sua avó que você não é católico. Sabe o que pior?! Ela me tratou como se eu tivesse 5 anos e fosse extremamente volátil quanto a decisões deste tamanho. E quando eu contei certas teorias que criei, ela não quis discutir, mas certamente, não querendo ser presunçoso, ela não tinha argumento para rebater minha questão.
Porque nascemos com o pecado original?! Oras, se Jesus morreu por nós, eu nasço sem pecados e todos os meus pecados são perdoados, pois alguém já pagou por eles, certo?! Outra. Qual era verdade que Adão e Eva deviam descobrir?! Não havia verdade. Se você vive em um mundo onde só existe você e seu cônjuge, não há fome, nem miséria, política, crimes, etc, que verdade há para se descobrir?! O gosto de uma fruta e olhe lá.
Ok, voltando ao assunto principal, qual é a graça do ano novo?! Particularmente eu o odeio. Odeio começar coisas assim como odeio termina-las. Coisas boas, de fato. Odeio começar uma relação amorosa, por exemplo, mas gosto do meio, de manter o meio e o fim disso é horrível, como se deve ser. O ano é assim pra mim. Eu gosto do ano entre março até o fim de outubro e olhe lá. Novembro é ruim, sinto o cheiro do final do ano, a nostalgia e o papai noel que começa a aparecer em cantos por aí. Depois disso vem dezembro, natal, e quando você menos espera, depois de uma coisa como o natal, temos um ano novo pra começar tudo de novo. É um ciclo que me incomoda. Tento refletir o ano durante o meio, mas é como se só no final do ano e no começo de outro, é que o tempo decide parar e me dar o direito de pensar no que se passa, no que passou.
Isso tudo é o medo das coisas novas. De mudanças que podem ser definitivas, como muitas que me ocorreram ano passado.
E lá vai eu passar o ano com minhas vestes preferidas. De repente, questionado por minha mãe sobre minha camiseta, respondi "vou com aquela do Nirvana". "Mas de preto?!"
"Oras, se fosse uma cor que me trouxesse paz, eu não teria tido o ano mais conturbado da minha vida!"

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O indivíduo frente a ética nacional (destilado)

Transcrevo aqui a redação que escrevi no ENEM 2009. Particularmente, pela primeira vez (e espero que seja a última) colocam em cheque um tema que eu tenho base para argumentar a questão. O parênteses expressa meu desejo de nunca mais fazer ENEM. 180 questões e uma redação no final de semana, é no mínimo complicado. Bom, la vai.

O Brasil sempre teve de lhe dar com situações cuja a ética é questionável. Atualmente, esta é algo que a cada dia que a cada dia perde seu valor moral frente a sociedade, ao indivíduo em si.
Vivemos em um momento histórico em que o famoso e básico "jeitinho brasileiro" tornou-se algo louvável ao invés de seguirmos as normas como foram propostas. Atos que há tempos seriam considerados vergonhosos como "furar" fila, por exemplo, é hoje tomada como uma ação inteligente. O político corrupto já é considerado um clichê, não nos assustamos mais com a falta de escrúpulos desta estirpe de pessoas cuja finalidade original era proporcionar e garantir os direitos dos cidadãos que vivem sob seu mandato.
Do outro lado sobram as pessoas cuja fibra moral e ética permanecem, ainda que em pouca parte da população de fato. O humor ácido e sarcástico de Millôr Fernandes no texto de apoio é um triste exemplo o qual vimos e rimos frente a algo que pouco a pouco (se ainda não se tornou) encaramos como um novo clichê. Ácido e cruel, porém real. E quem encara tal situação como algo a ser revisto é mal visto pela sociedade.
O país em que vivemos hoje tornou-se a "caverna" do mito de Platão. Contemplamos as "sombras", a alienação da televisão, cuja opinião já está formada e é "vomitada" em cima de nós. O assistencialismo da política que sempre nos traz soluções a curto prazo em troca do seu "abençoado voto". Observamos todas as imperfeições de nossa sociedade e à aplaudimos como a verdade única, absoluta, que ninguém tem o direito de tentar mudar, pois se ousar, há de ser impedido, assim como no mito da caverna.

Para quem ficou curioso: 1ª prova: 47 acertos; 2ª prova: 49

Carta ao pai (destilado)

Em meados de outubro, escrevi esta carta em versos para o meu pai com a finalidade de me demitir. Bom, vontade não me falta, mas por questões financeiras há de se suportar, não?!
Ia entrega-la no início deste mês.
Particularmente, é uma carta de muito bom gosto, eufêmica e criativa. Espero que gostem.

Fim do ano já chegou
Se aproxima o verão
Com um mês de antecedência
Anuncio minha demissão

Escrevo no fim do ano
Porque tenho uma intenção
Quero deixar o trabalho
Com o 13º na mão

Acredite, é só por isso
Que aguento até então
Se não quisesse esse dinheiro
Já tinha saido há um tempão

O ano novo está chegando
O natal já está aí
Junto a ele o fim do emprego
Logo estarei fora daí

Esta fase pós-escola
Começou ano passado
Recebi a grana do mês
O que foi de meu agrado

Mas queria mais dinheiro
Valorizei meu trabalho
Não recebo o que devia
E nunca foi de meu agrado

Sabe porque o dinheiro não traz felicidade?!
Passamos o dia inteiro em busca de dinheiro
Sem ver o sofrimento
Que nos causa tal maldade

Não gosto deste trabalho
Me desgasta acordar cedo
Tentei lhe dizer antes
Não tenho o perfil do emprego

O acordar para um pesadelo
É algo desagradável
Todo dia tentei fugir
De uma depressão inevitável

Estou aqui e me sinto preso
Quero expandir meu horizonte
Não adianta ficar aqui
E fazer o mesmo de ontem

Já não aguento mais essa turma
Dias e dias me estresso em vão
Não quero fazer o trabalho deles
Não trabalho sob pressão

Espero que depois dessa
Não haja ressentimento entre nós
Lhe escrevo esta carta
Pois há tempos não tenho voz

Te digo: não tenho voz
Pois falar não adiantaria
Até mandando e-mail
Simplesmente não bastaria

Odeio este trabalho
Mas não queria chegar atrasado
Pois você sempre fica falando
Aquele velho discurso chato

Tão chato que até cansava
Seus feedbacks não são elegantes
Se queria me mandar embora
Já devia te-lo feito antes

Finalmente chego ao fim
Com alívio no coração
Pois não fui mal educado
Em minha carta de demissão